Poluição química das águas: e eu com isso?

É fato que a maioria do nosso planeta é constituído por água. Mesmo cobrindo mais de 3/4 do planeta, somente uma pequena parcela está disponível para a utilização humana. A maioria está nos oceanos, além de geleiras e lençóis freáticos o que a torna imprópria pra uso direto. Para além do uso humano, a água é a responsável pela vida na Terra. E seria esperado que preservássemos esse compartimento com todos nossos esforços. No entanto, esse recurso ambiental é alvo de vários rejeitos que são lançados diretamente nos lagos, mares, rios, lençóis subterrâneos e oceanos, além dos poluentes que são lançados na atmosfera e no solo e também vão parar nesses corpos d’água.

Existem vários tipos de poluição da água: térmica, sedimentar, biológica e química. Hoje vamos falar sobre a poluição química da água! Alguns exemplos de fontes de poluentes químicos são os resíduos industriais, os esgotos domésticos e os resíduos descartados incorretamente, de forma proposital ou não. Entre os poluentes químicos, temos os fertilizantes agrícolas, os compostos sintéticos, como plásticos, herbicidas, inseticidas, tintas, detergentes, solventes, remédios e aditivos alimentares, além dos compostos inorgânicos como os metais pesados. Há também os vazamentos de petróleo como testemunhamos recentemente no litoral brasileiro como o maior acidente em oceanos tropicais do planeta.

Despejo poluente em ambiente aberto. FONTE: Shutterstock

Falando dessa maneira, é possível que pensemos no uso dessas substâncias em larga escala ou até mesmo em legislação para regulamentá-lo. Para além dessas situações, nós fazemos escolhas diárias que envolvem essas substâncias e que vão desde a alimentação até ao combate de pragas urbanas, como as baratas. Isso se dá porque esses poluentes químicos podem ser substâncias que estão dentro das nossas casas, como desinfetantes, solventes, repelentes, anticoncepcionais, veneno pra matar barata, formiga e rato, além de uma variedade de outras substâncias que estão nos cosméticos que usamos diariamente como triclosan e parabenos ou até mesmo estão nas nossas panelas (Teflon) e celulares (polibromados).

Aplicação de agrotóxico em monocultura. FONTE: Google

Um dos maiores desafios com esse tipo de poluição é sua dificuldade de descontaminação, por ser um processo demorado e de custo alto. 52% da população brasileira possui coleta de esgoto, dos quais apenas 46% é tratado e o nível de tratamento não remove essas substâncias (Fonte). Logo, a maioria das substâncias que escorrem pelo ralo do nosso banheiro vai parar nos corpos d’água. Além do lançamento direto de esgoto tratado e não-tratado, essas substâncias são levadas para o curso d’agua tanto pelo escoamento das ruas, como também por infiltrações no lençol freatico (p.e. em lixões). Nos rios, o poluente é levado por todo o curso, contaminando também as margens, e, por fim, chegando aos oceanos.

Uma vez nos corpos hídricos, essas substâncias podem tanto ficar na água quanto irem para o fundo, dependendo das suas características, ficando nos sedimentos dos mares, rios e lagos. Os organismos que vivem nesses ambientes entram de alguma forma em contato com esses poluentes e as consequências vão desde efeitos mutagênicos e carcinogênicos como as substâncias que foram eliminadas/restritas pela conveção de Estolcomo (Fonte) da qual o Brasil é signatário até efeitos que ainda estão sendo estudados e só serão perceptíveis após muito tempo.

Uma grande preocupação relacionada a essas substâncias é que podem produzir efeitos adversos aos organismos expostos até mesmo em concentrações realmente muito baixas (Fonte). Vários estudos vem provando que esses poluentes já estão na água que bebemos, nos alimentos que comemos e até mesmo no leite materno (Fonte).

Para evitar a poluição causada por estes compostos, devemos procurar utilizar os produtos na forma mais natural possível. Outra dica é ler o rótulo do que estamos consumindo e procurar se informar sobre esses componentes e sobre a cadeia produtiva desse produto. Além disso, tentar diminuir o lixo produzido e reciclar o que puder ser reciclado. Inclusive, temos um e-book gratuito em que damos muitas dicas de práticas e receitas para viver de uma forma mais limpa e menos poluente, você pode baixá-lo aqui.

Todas essas pequenas ações vão nos conscientizando sobre o que produzimos e como podemos fazer nossa parte para a manutenção da saúde do nosso planeta. É um processo lento e que requer mudanças nos nossos hábitos que precisa começar já. Um passo de cada vez…

Texto: Gabrielle Melo – oceanógrafa.

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