Afinal… o que é “Sagrado Feminino”?

É inegável que hoje o movimento e o resgate do que entendemos por Sagrado Feminino tem ficado cada dia mais crescente e mais conhecido. Porém isso não é uma modinha que explodiu há poucos anos! O que hoje chamamos de “Sagrado Feminino” teve seu início junto com o início da própria espécie humana e de suas primeiras organizações sociais. Lá atrás, no pré-patriarcado, quando nossa espécie ainda era nômade, era guiada pelas estrelas e pelas forças da Natureza.

As mulheres, nesta época, eram representantes da Deusa Terra, da fertilidade, dos ciclos naturais. Eram oráculos, grandes sábias e sacerdotisas, que sabiam manipular as ervas e que guiavam toda a tribo. Elas que diziam onde e quando caçar, ou quando era a hora de mudar de lugar. Eram respeitadas, adoradas. Era o que chamamos de Matriarcado (sociedade regida e guiada pelas mulheres e pelos ciclos naturais).

 

Vênus de Willendorf - 20 mil anos AC
Vênus de Willendorf – 20 mil anos AC

 

Antes, a terra era de todos, os animais eram da Mãe Terra, assim como as plantas. Quando as tribos fizeram a transição para comunidades fixas, a ideia de “posse” começou a se instaurar. A partir deste momento, animais foram domesticados e presos em cercos. Plantas começaram a ser plantadas por mãos humanas. Terras começaram a ser demarcadas. Junto com tudo isso, as mulheres passaram a ser um “bem” que pertencia a um único homem, já que os homens precisavam saber quais eram de fato seus filhos para que suas posses pudessem ser herdadas.

Neste momento, surgia o que conhecemos até hoje como Patriarcado.

As mulheres não mais eram oráculos e curandeiras. Passaram a ser apenas as responsáveis por procriar e cuidar da prole. O conhecimento sobre as forças da Natureza, toda sua riqueza e conexão foram se perdendo ao longo das gerações.

Surgiu o catolicismo.

As mulheres que ainda resistiram e praticavam a cura com as plantas, a conexão com as estrelas, agora eram bruxas, e não mais sábias ou sacerdotisas. Toda a figura negativa da Bruxa se criou. Com isso, já sabemos o que aconteceu: fomos queimadas. Milhares de mulheres foram mortas por representarem qualquer ameaça ao sistema do Patriarcado. Sim, apenas mulheres. Segundo o Manual Malleus Maleficarum em latim (também chamado O Martelo das Bruxas ou O Martelo das Feiticeiras) – que consistia de um guia proposto em meados de 1486, para identificar uma bruxa e estabelecia como esta deveria ser executada- apenas mulheres eram bruxas, não haviam bruxos. Mulher não podia saber, tinha que apenas obedecer.

 

Malleus Maleficarum. edição de 1576 - Veneza
Malleus Maleficarum. edição de 1576 – Veneza

 

Caça às bruxas
Caça às bruxas. Foto: Reprodução

Estima-se que entre os séculos XV e XVIII, tenham acontecido entre 40 mil e 100 mil execuções por bruxaria.

Dando um forward na história, porque essa parte todas já sabemos…

Em algum momento do final do século XIX e início do século XX, houve o primeiro grande movimento e despertar feminino, chamado de Primeira Onda Feminista, quando mulheres do Reino Unido e Estados Unidos, principalmente, lutaram por igualdade de direitos entre homens e mulheres. Elas exigiam principalmente igualdade de direitos contratuais, o direito de votar, o casamento livre (com quem quisessem) e o direito por posses.

feminismo

sufragistas

Esse primeiro movimento foi decisivo para semear o que hoje conhecemos como Feminismo, como avanço de muito de nossos direitos ( e damos graças a cada uma dessas mulheres!!), porém plantou-se também uma ideia um pouco equivocada do que seria essa igualdade.

Passamos a nos enxergar tão lineares quanto os homens e passamos a, por exemplo, nos medicar e nos envenenar para controlar nossa fertilidade. Nos aproximamos de igualdade de direitos mas nos distanciamos de nossos ciclos naturais e de nós mesmas.

Sim, nossos direitos devem ser iguais aos dos homens! Mas somos iguais aos homens? Não! Aí é que começa o resgate do Sagrado Feminino….

Hoje, como mulheres modernas que buscam seu auto conhecimento e seu despertar, precisamos resgatar nossa ciclicidade, dar poder a esta nossa característica tão única, potencializar nosso processo interior e retomar toda essa consciência.

Vivemos tempos de luta, sim! Ainda há muito a ser conquistado em termos de salários iguais, de proteção à integridade física e mental da mulher, com tanto feminicídio ainda acontecendo por aí. Sinto que modernizaram as fogueiras, hoje nos matam com armas de fogo. #MariellePresente Porém temos de tomar MUITA cautela pra não perdermos nossa essência no meio dessa luta toda que travamos todos os dias.

O Sagrado Feminino veio pra resgatar nossa sororidade, o poder do nosso ciclo menstrual e do nosso sangue, a conexão com as forças da Natureza, com a Lua. Só podemos nos fortalecer quando nos conectamos conosco, de forma verdadeira, nua e crua. Quando nos reconectamos com essa essência, renascemos. Voltamos pra casa.

Muito ainda sobre Sagrado Feminino veremos por aqui. Por enquanto, semeamos somente essa questão:

Como você se vê sagrada nos seus dias?

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Até breve!

 

 

2 comentários em “Afinal… o que é “Sagrado Feminino”?

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